Mensagens-chave: Utilização de agentes antimicrobianos em ambientes de cuidados de saúde

Em 2016-2017, o ECDC coordenou o segundo estudo de prevalência pontual de infeções associadas aos cuidados de saúde e da utilização de agentes antimicrobianos nos hospitais de cuidados agudos europeus, bem como o terceiro estudo de prevalência pontual de infeções associadas aos cuidados de saúde e da utilização de agentes antimicrobianos em unidades de cuidados continuados europeias. As conclusões encontram-se resumidas em três artigos no boletim Eurosurveillance:

Antimicrobial use in European acute care hospitals: results from the second point prevalence survey (PPS) of healthcare-associated infections and antimicrobial use, 2016 to 2017. Euro Surveill. 2018;23(46):1800393. Plachouras D, Kärki T, Hansen S, Hopkins S, Lyytikäinen O, Moro ML, et al.

Antimicrobial use in European long-term care facilities: results from the third point prevalence survey of healthcare-associated infections and antimicrobial use, 2016 to 2017. Euro Surveill. 2018;23(46):1800394. Ricchizzi E, Latour K, Kärki T, Buttazzi R, Jans B, Moro ML, et al.

Prevalence of healthcare-associated infections, estimated incidence and composite antimicrobial resistance index in acute care hospitals and long-term care facilities: results from two European point prevalence surveys, 2016 to 2017. Euro Surveill. 2018;23(46):1800516. Suetens C, Latour K, Kärki T, Ricchizzi E, Kinross P, Moro ML, et al.

As mensagens-chave baseiam-se nos resultados dos estudos de prevalência pontual.

 

Utilização de agentes antimicrobianos em hospitais de cuidados agudos europeus

A utilização dos agentes antimicrobianos no tratamento de infeções salva vidas, mas o recurso excessivo aos mesmos pode resultar em efeitos adversos mais frequentes e na emergência de microrganismos multirresistentes. 

Todos os dias, 1 em cada 3 doentes recebe, pelo menos, um agente antimicrobiano.  

Os agentes antimicrobianos são, por vezes, administrados a doentes para prevenir infeções, por exemplo infeções relacionadas com procedimentos cirúrgicos.  

1 em cada 2 ciclos de profilaxia cirúrgica foi prescrito para mais de um dia.  

Uma dose é geralmente suficiente para a profilaxia cirúrgica. A profilaxia cirúrgica prolongada constitui uma fonte significativa de utilização desnecessária de agentes antimicrobianos nos hospitais, que deve ser abordada em toda a Europa.  

1 em cada 10 prescrições de agentes antimicrobianos era de profilaxia médica, para a qual apenas existe um número limitado de indicações.  

Uma percentagem das prescrições de agentes antimicrobianos para profilaxia médica pode, por conseguinte, representar uma utilização desnecessária.  

A percentagem de antibióticos de largo espetro variou entre 16 % e 62 % em toda a Europa.  

Os antibióticos de largo espetro nem sempre são necessários e a sua utilização conduz à resistência antimicrobiana. A grande variação na sua utilização indica a necessidade de rever as suas indicações em muitos países e hospitais.  

7 em 10 agentes antimicrobianos foram administrados por via parentérica. A mudança da via parentérica para oral foi notificada em apenas 4 % das prescrições de agentes antimicrobianos parentéricos.  

76 % dos hospitais comunicaram a disponibilidade de orientações sobre a utilização de agentes antimicrobianos. 54 % referiram a afetação de algum tempo ao pessoal para a gestão de agentes antimicrobianos.  

Utilização de agentes antimicrobianos em unidades de cuidados continuados europeias

Os agentes antimicrobianos são geralmente prescritos e contribuem para o desenvolvimento da resistência antimicrobiana em unidades de cuidados continuados. 

Todos os dias, 1 em cada 20 residentes recebe, pelo menos, um agente antimicrobiano.  
 
7 em cada 10 agentes antimicrobianos foram prescritos para o tratamento de uma infeção e 3 em 10 para profilaxia.  

3 em 4 dos ciclos de profilaxia foram administrados para prevenir infeções do trato urinário. Embora esta prática possa reduzir o risco de infeção nas mulheres, não há provas da sua eficácia quando aplicada amplamente aos doentes idosos. Além disso, esta prática está associada ao aumento da resistência antimicrobiana. A maioria dos ciclos de profilaxia pode, por conseguinte, representar uma utilização desnecessária de agentes antimicrobianos.  

Consoante o país, todas ou nenhuma das unidades de cuidados continuados dispõem de orientações sobre a utilização de agentes antimicrobianos. Além disso, apenas 1 em cada 5 unidades de cuidados continuados têm formação regular sobre a prescrição adequada de agentes antimicrobianos.

Infeções associadas aos cuidados de saúde e resistência antimicrobiana em hospitais de cuidados agudos e unidades de cuidados continuados

Embora algumas infeções associadas a cuidados de saúde possam ser tratadas com facilidade, outras podem afetar mais gravemente a saúde do doente, aumentando a sua permanência no hospital e as despesas hospitalares. As infeções associadas a cuidados de saúde nos hospitais, por si só, causam mais mortes na Europa do que qualquer outra doença infeciosa sob vigilância no ECDC.  
 
Todos os dias:  

  • 1 em cada 15 doentes hospitalares têm pelo menos uma infeção associada aos cuidados de saúde;
  • 98 000 doentes têm pelo menos uma infeção associada aos cuidados de saúde;
  • 1 em cada 24 residentes de unidades de cuidados continuados tem, pelo menos, uma infeção associada aos cuidados de saúde;
  • 124 000 residentes têm, pelo menos, uma infeção associada aos cuidados de saúde.   

Estima-se que ocorra, anualmente, um total de 8,9 milhões de infeções associadas aos cuidados de saúde em hospitais e unidades de cuidados continuados europeus combinados.  

As infeções associadas aos cuidados de saúde nos hospitais (por exemplo, pneumonia, infeções no local da cirurgia e infeções da corrente sanguínea) são geralmente mais graves e têm um impacto superior ao das infeções associadas aos cuidados de saúde nas unidades de cuidados continuados (por exemplo, infeções respiratórias, com exceção da pneumonia, infeções do trato urinário e infeções da pele e dos tecidos moles). 
 
Mais de metade das infeções associadas aos cuidados de saúde são consideradas preveníveis.  
 
As infeções associadas aos cuidados de saúde são frequentemente tratadas sem a colheita de amostras microbiológicas ou as amostras permanecem negativas. 
 
O microrganismo responsável foi identificado em 53 % das infeções associadas aos cuidados de saúde nos hospitais e apenas em 19 % das infeções associadas aos cuidados de saúde nas unidades de cuidados continuados. 
 
1 em cada 3 bactérias associadas a infeções associadas aos cuidados de saúde, tanto em hospitais como em unidades de cuidados continuados, era resistente a antibióticos.  
 

O que é um estudo de prevalência pontual? Um estudo de prevalência é uma contagem do número de doentes com uma determinada doença/tratamento (neste caso, uma infeção associada aos cuidados de saúde ou um agente antimicrobiano) num determinado momento (neste caso, num dia), na forma de uma percentagem do número total de doentes hospitalizados nesse momento específico.