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Qual é o problema? 

A resistência bacteriana aos antibióticos é um problema quotidiano nos hospitais da Europa (1).

Autilização incorrecta ou inadequada de antibióticos pode fazer com que os doentes sejam colonizados ou infectados por bactérias resistentes aos antibióticos, tais como Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), enterococos resistentes à vancomicina (VRE) e bacilos Gram-negativos extremamente resistentes (2-3).

A utilização incorrecta ou inadequada de antibióticos está associada ao aumento da incidência de infecções por Clostridium difficile (4-5).

O surgimento, a selecção e a propagação de bactérias resistentes aos antibióticos constitui uma ameaça à saúde dos doentes em hospitais porque:

  • As infecções com bactérias resistentes aos antibióticos originam um  aumento da morbilidade e mortalidade nos doentes, bem como no prolongamento do internamento hospitalar. (6-7).
  • A resistência aos antibióticos conduz frequentemente a um atraso na terapêutica antibiótica apropriada (8).
  • A terapêutica inadequada ou  não atempada com antibióticos em doentes com infecções graves está associada a piores resultados para o doente e, por vezes, à morte (9-11).
  • A produção actual de novos antibióticos é limitada e, caso a resistência aos antibióticos continue a aumentar, deixarão de existir antibióticos eficazes para o tratamento (12).

Como é que a utilização de antibióticos contribui para o problema? 

Os doentes hospitalizados têm uma probabilidade elevada de ser medicados com antibiótico (13) e 50% da totalidade da utilização de antibióticos em hospitais poderá ser inapropriada (4, 14); A utilização incorrecta ou inadequada dos antibióticos nos hospitais é um dos principais factores que promovem o desenvolvimento de resistência aos antibióticos (15-17);

A utilização incorrecta ou inadequada de antibióticos pode incluir qualquer dos seguintes cenários (18):

  • A prescrição desnecessária de antibióticos;
  • O atraso na administração de antibióticos a pessoas gravemente doentes;
  • Um espectro demasiado largo ou estreito da terapêutica com antibióticos;
  • Uma dose demasiado baixa ou elevada de antibiótico em relação à que seria indicada para o doente;
  • A duração demasiado curta ou prolongada do tratamento com antibióticos;
  • A não adequação do tratamento com antibióticos aos resultados de culturas microbiológicas quando ficam disponíveis.

Porquê promover o uso racional de antibióticos?

O uso racional de antibióticos pode prevenir o surgimento e a selecção de bactérias resistentes a antibióticos (4, 17, 19-21).

Foi demonstrado que a diminuição da utilização de antibióticos resulta numa diminuição da incidência de infecções porClostridium difficile (4, 19, 22).

Como promover o uso racional de antibióticos?

As estratégias multifacetadas (multimodais??) que incluem a formação contínua, orientações e políticas hospitalares sobre prescrição antibiótica baseadas em factos científicos, medidas restritivas e consultas a farmacêuticos, microbiologista  e infeciologistas poderão resultar em melhores práticas na prescrição de antibióticos e na redução da resistência aos antibióticos (4, 19, 23).

A monitorização das resistências aos antibióticos e da utilização de antibióticos no hospital tem proporcionado informações úteis que podem ser utilizadas como orientação para a terapêutica empírica com antibióticos de pessoas gravemente doentes (24)

A administração correcta em termos de início e duração optimizados da profilaxia antibiótica anterior à cirurgia está associada a um menor risco de infecções no local cirúrgico (25) e a um risco mais baixo de surgimento de bactérias resistentes a antibióticos (26)

Os estudos demonstram que, para algumas indicações, é possível administrar tratamentos com uma duração mais reduzida, sem diferenças a nível do resultado para o doente, e este facto foi também associado a frequências mais baixas de resistência a antibióticos (15, 27-28).

A recolha de amostras microbiológicas antes do início da terapêutica empírica com antibióticos, a monitorização dos resultados das culturas e a adequação do tratamento antibiótico tendo como base os resultados das culturas são uma forma de reduzir a utilização desnecessária de antibióticos (29).

 

1.            European Antimicrobial Resistance Surveillance System . RIVM. 2009 [cited March 30, 2010].
2.            Safdar N, Maki DG. The commonality of risk factors for nosocomial colonization and infection with antimicrobial-resistant Staphylococcus aureus, enterococcus, gram-negative bacilli, Clostridium difficile, and Candida. Ann Intern Med. 2002 Jun 4;136(11):834-44.
3.            Tacconelli E, De Angelis G, Cataldo MA, Mantengoli E, Spanu T, Pan A, et al. Antibiotic usage and risk of colonization and infection with antibiotic-resistant bacteria: a hospital population-based study. Antimicrob Agents Chemother. 2009 Oct;53(10):4264-9.
4.            Davey P, Brown E, Fenelon L, Finch R, Gould I, Hartman G, et al. Interventions to improve antibiotic prescribing practices for hospital inpatients. Cochrane Database Syst Rev. 2005(4):CD003543.
5.            Bartlett JG, Onderdonk AB, Cisneros RL, Kasper DL. Clindamycin-associated colitis due to a toxin-producing species of Clostridium in hamsters. J Infect Dis. 1977 Nov;136(5):701-5.
6.            Cosgrove SE, Carmeli Y. The impact of antimicrobial resistance on health and economic outcomes. Clin Infect Dis. 2003 Jun 1;36(11):1433-7.
7.            Roberts RR, Hota B, Ahmad I, Scott RD, 2nd, Foster SD, Abbasi F, et al. Hospital and societal costs of antimicrobial-resistant infections in a Chicago teaching hospital: implications for antibiotic stewardship. Clin Infect Dis. 2009 Oct 15;49(8):1175-84.
8.            Kollef MH, Sherman G, Ward S, Fraser VJ. Inadequate antimicrobial treatment of infections: a risk factor for hospital mortality among critically ill patients. Chest. 1999 Feb;115(2):462-74.
9.            Ibrahim EH, Sherman G, Ward S, Fraser VJ, Kollef MH. The influence of inadequate antimicrobial treatment of bloodstream infections on patient outcomes in the ICU setting. Chest. 2000 Jul;118(1):146-55.
10.          Lodise TP, McKinnon PS, Swiderski L, Rybak MJ. Outcomes analysis of delayed antibiotic treatment for hospital-acquired Staphylococcus aureus bacteremia. Clin Infect Dis. 2003 Jun 1;36(11):1418-23.
11.          Alvarez-Lerma F. Modification of empiric antibiotic treatment in patients with pneumonia acquired in the intensive care unit. ICU-Acquired Pneumonia Study Group. Intensive Care Med. 1996 May;22(5):387-94.
12.          ECDC, EMEA. ECDC/EMEA Joint Technical Report: The bacterial challenge: time to react
2009.
13.          Ansari F, Erntell M, Goossens H, Davey P. The European surveillance of antimicrobial consumption (ESAC) point-prevalence survey of antibacterial use in 20 European hospitals in 2006. Clin Infect Dis. 2009 Nov 15;49(10):1496-504.
14.          Willemsen I, Groenhuijzen A, Bogaers D, Stuurman A, van Keulen P, Kluytmans J. Appropriateness of antimicrobial therapy measured by repeated prevalence surveys. Antimicrob Agents Chemother. 2007 Mar;51(3):864-7.
15.          Singh N, Yu VL. Rational empiric antibiotic prescription in the ICU. Chest. 2000 May;117(5):1496-9.
16.          Lesch CA, Itokazu GS, Danziger LH, Weinstein RA. Multi-hospital analysis of antimicrobial usage and resistance trends. Diagn Microbiol Infect Dis. 2001 Nov;41(3):149-54.
17.          Lepper PM, Grusa E, Reichl H, Hogel J, Trautmann M. Consumption of imipenem correlates with beta-lactam resistance in Pseudomonas aeruginosa. Antimicrob Agents Chemother. 2002 Sep;46(9):2920-5.
18.          Gyssens IC, van den Broek PJ, Kullberg BJ, Hekster Y, van der Meer JW. Optimizing antimicrobial therapy. A method for antimicrobial drug use evaluation. J Antimicrob Chemother. 1992 Nov;30(5):724-7.
19.          Carling P, Fung T, Killion A, Terrin N, Barza M. Favorable impact of a multidisciplinary antibiotic management program conducted during 7 years. Infect Control Hosp Epidemiol. 2003 Sep;24(9):699-706.
20.          Bradley SJ, Wilson AL, Allen MC, Sher HA, Goldstone AH, Scott GM. The control of hyperendemic glycopeptide-resistant Enterococcus spp. on a haematology unit by changing antibiotic usage. J Antimicrob Chemother. 1999 Feb;43(2):261-6.
21.          De Man P, Verhoeven BAN, Verbrugh HA, Vos MC, Van Den Anker JN. An antibiotic policy to prevent emergence of resistant bacilli. Lancet. 2000;355(9208):973-8.
22.          Fowler S, Webber A, Cooper BS, Phimister A, Price K, Carter Y, et al. Successful use of feedback to improve antibiotic prescribing and reduce Clostridium difficile infection: a controlled interrupted time series. J Antimicrob Chemother. 2007 May;59(5):990-5.
23.          Byl B, Clevenbergh P, Jacobs F, Struelens MJ, Zech F, Kentos A, et al. Impact of infectious diseases specialists and microbiological data on the appropriateness of antimicrobial therapy for bacteremia. Clin Infect Dis. 1999 Jul;29(1):60-6; discussion 7-8.
24.          Beardsley JR, Williamson JC, Johnson JW, Ohl CA, Karchmer TB, Bowton DL. Using local microbiologic data to develop institution-specific guidelines for the treatment of hospital-acquired pneumonia. Chest. 2006 Sep;130(3):787-93.
25.          Steinberg JP, Braun BI, Hellinger WC, Kusek L, Bozikis MR, Bush AJ, et al. Timing of antimicrobial prophylaxis and the risk of surgical site infections: results from the Trial to Reduce Antimicrobial Prophylaxis Errors. Ann Surg. 2009 Jul;250(1):10-6.
26.          Harbarth S, Samore MH, Lichtenberg D, Carmeli Y. Prolonged antibiotic prophylaxis after cardiovascular surgery and its effect on surgical site infections and antimicrobial resistance. Circulation. 2000 Jun 27;101(25):2916-21.
27.          Chastre J, Wolff M, Fagon JY, Chevret S, Thomas F, Wermert D, et al. Comparison of 8 vs 15 days of antibiotic therapy for ventilator-associated pneumonia in adults: a randomized trial. Jama. 2003 Nov 19;290(19):2588-98.
28.          Ibrahim EH, Ward S, Sherman G, Schaiff R, Fraser VJ, Kollef MH. Experience with a clinical guideline for the treatment of ventilator-associated pneumonia. Crit Care Med. 2001 Jun;29(6):1109-15.
29.          Rello J, Gallego M, Mariscal D, Sonora R, Valles J. The value of routine microbial investigation in ventilator-associated pneumonia. Am J Respir Crit Care Med. 1997 Jul;156(1):196-200.

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O público-alvo primário são prescritores de antibióticos em hospitais. O público-alvo secundário são gestores hospitalares e, em menor medida, farmacêuticos hospitalares, comités farmacêuticos/de gestão dos antibióticos.