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A crescente resistência aos antibióticos ameaça a eficácia presente e futura dos antibióticos

A resistência aos antibióticos é um grave problema de saúde pública em crescimento na Europa [1, 2].

Ao mesmo tempo que o número de infecções devidas a bactérias resistentes aos antibióticos aumenta, as linhas de produção de novos antibióticos não têm resultados prometedores, resultando num cenário pouco encorajador no que respeita à possibilidade de existirem tratamentos eficazes com antibióticos no futuro [3, 4].

Os níveis crescentes de bactérias resistentes aos antibióticos podem ser combatidos encorajando a utilização limitada e adequada de antibióticos em doentes nos cuidados de saúde primários

A exposição aos antibióticos está ligada ao aparecimento de resistência aos antibióticos [5–8]. O consumo geral de antibióticos numa população, assim como a forma como os antibióticos são consumidos, tem um impacto sobre a resistência aos antibióticos [9, 10].

A experiência de alguns países da Europa demonstra que a redução na prescrição de antibióticos resultou numa redução concomitante da resistência aos antibióticos [10–12].

Os cuidados de saúde primários representam entre 80% a 90% de todas as prescrições de antibióticos, principalmente para infecções do tracto respiratório [9, 14, 15].

Existem evidências que demonstram que, em muitos casos de infecção do tracto respiratório, os antibióticos não são necessários [16–18] sendo o sistema imunitário dos doentes suficientemente competente para combater infecções simples.

Existem doentes com determinados factores de risco, por exemplo, exacerbações graves de doença pulmonar obstructiva crónica (DPOC) com aumento da produção de expectoração, relativamente aos quais a prescrição de antibióticos é necessária [19, 20].

A prescrição desnecessária de antibióticos no cenário dos cuidados de saúde primários é um fenómeno complexo, mas está principalmente relacionado com factores como a interpretação errada dos sintomas, incertezas no diagnóstico e na percepção das expectativas dos doentes [14, 21].

A comunicação com os doentes é a chave

Os estudos mostram que a satisfação dos doentes no ambiente dos cuidados de saúde primários depende mais da comunicação eficaz que na prescrição de um antibiótico [22–24], e que a prescrição de um antibiótico para uma infecção do tracto respiratório superior não diminui a taxa de visitas subsequentes [25].

O parecer profissional do médico tem um impacto sobre a percepção e a atitude do doente em relação à sua doença e na percepção da necessidade de tomar antibióticos, em particular quando os doentes são informados sobre o que podem esperar durante a evolução da sua doença, incluindo o tempo de recuperação realista e estratégias de autogestão [26].

Não é necessário aos prescritores da área dos cuidados de saúde primários dedicarem mais tempo em consultas que envolvam a oferta de alternativas à prescrição de um antibiótico. Os estudos demonstram que estas podem ter uma duração média semelhante, e, em simultâneo, manter um grau elevado de satisfação nos doentes [14, 27, 28].

 

Referências

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